Geddel, que chorou na CPI dos anões do Orçamento, dizendo ser um homem de poucas posses, hoje, possui fazendas e viaja de avião particular, vivendo apenas com o salário da Câmara Federal
Berna Farias
O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB) está disposto a esclarecer todas as denúncias de irregularidades envolvendo seu nome antes das eleições gerais de 2006. Os esclarecimentos vêm sendo cobrados desde que o parlamentar assumiu a segunda-vice-presidência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal. A estratégia de esclarecer o seu súbito enriquecimento tem como objetivo recuperar a credibilidade perdida nos últimos anos nos meios políticos e entre os eleitores.
O envolvimento de Geddel Vieira Lima em suspeitas de irregularidades precede as atividades parlamentares do deputado na Câmara Federa. Desde sua primeira participação na vida pública, com apenas 23 anos, na função de diretor da Baneb Corretora – empresa estatal naquela época -, Geddel foi protagonista de um escândalo financeiro no estado. Durante o governo de João Durval Carneiro, Geddel, em parceria com ex-deputado Benito Gama (PTB), que à época era secretário da Fazenda, montou uma operação para obter lucros em transações irregulares.
Juntos, eles compravam ações por meio da Baneb Corretora, mas só pagavam pelas aquisições depois que os papéis já haviam sido revendidos por valores superiores aos registrados na compra. O prejuízo causado aos cofres públicos ultrapassaram a casa do Cr$1 bilhão e o escândalo, que foi amplamente divulgado pela imprensa, resultou na demissão de Geddel e do então presidente do Baneb, Mário Nou, que também foi acusado de comprar ações e só pagá-las depois de revendê-las com ágio. Depois de passar uma temporada como assessor especial da prefeitura de Salvador, onde quase nunca aparecia no trabalho, Geddel Vieira Lima lançou-se candidato a deputado federal com o apoio do pai, Afrísio Vieira Lima, na época secretário de Segurança Pública do governo Nilo Coelho. Afrísio colocou à disposição do comitê de campanha do filho, viaturas policiais, e linhas telefônicas da secretaria instaladas no escritório político de Geddel, e cujas contas eram pagas pelos cofres públicos.
Já na Câmara Federal, o deputado foi um dos protagonistas da CPI dos Anões do Orçamento, em 1993, e o seu depoimento se tornou célebre porque, pela primeira vez na história da Casa, um parlamentar chorou copiosamente alegando inocência. À época, Geddel disse que era proprietário, apenas de uma Parati, modelo 91; de uma linha telefônica em Salvador; de um título do Yatch Club da Bahia; e de um automóvel Honda, ano 1993. A declaração feita à CPI foi a mesma apresentada em 1994 ao Tribunal Regional Eleitoral, para a homologação de sua candidatura à reeleição na Câmara Federal.
Quatro anos depois, ao apresentar declaração de bens ao TRE psara homologar sua candidatura a deputado federal, seu patrimônio havia se multiplicado. Geddel tornou-se dono de um BMW e de uma caminhonete Toyota Hilux, que juntas custam mais de R$100 mil, valor superior a todos os bens declarados pelo líder do PMDB à CPI dos anões do Orçamento. Geddel Vieira Lima, adquiriu também, neste período, um apartamento avaliado por ele próprio em R$120 mil, no bairro do Chame-Chame, além de várias fazendas.
De lá para cá, o patrimônio de Geddel Vieira Lima não parou de crescer. Só em fazendas na região sudoeste do estado, declaradas à Receita Federal, o líder do PMDB possui 12. Além delas, o deputado era visto com freqüência embarcando num avião bimotor, prefixo PT-OTA – recentemente substituído por um King Air – cujo proprietário oficial era a família de empreiteiros mineiros Lima Geo, mas suspeita-se que seja dele.
O parlamentar também investe em apartamentos em Brasília. Foram seis nos últimos 10 anos, todos adquiridos no Setor Sudoeste, à vista e registrados em cartório com valores abaixo do preço de mercado. Juntos, os imóveis na capital federal estão avaliados em R$2,18 milhões.
No Setor Sudoeste da capital Federal, através do irmão Afrísio Vieira Lima Filho, Geddel comprou o apartamento 304, do Condomínio Costa Bela, localizado no bloco L, da superquadra 102. O valor de mercado do imóvel, R$280 mil. O imóvel, que tem duas garagens, fica num condomínio luxuoso.
Ainda no setor Sudoeste de Brasília, em outra transação, Geddel comprou, através do irmão, dois apartamentos no Condomínio da Cooperativa Habitacional do Senado Federal (Coopersef), localizado na o Bloco H, da superquadra 302. Os apartamentos 301 e 302 estão avaliados em R$450 mil cada. Outro imóvel comprado por Afrísio Filho no Setor Sudoeste de Brasília é o apartamento 404, do Bloco J, da superquadra 104. Segundo imobiliárias da capital federal, o apartamento, considerado de luxo, está avaliado em R$600 mil.
O irmão de Geddel também adquiriu dois apartamentos no Lakeside Hotel Residence, apart-hotel cuja unidade estava avaliada em R$200 mil na época da compra. Localizada no Setor Norte, fica a beira do Lago Paranoá, foi registrado no cartório de Brasília por apenas R$25,8 mil.
Correio da Bahia (BA)
20/03/2005


